Guias técnicos

Data logger: como escolher o ideal

Como escolher um registrador de dados: as grandezas que você precisa registrar, o intervalo de leitura, a memória, a alimentação e como baixar os dados.

Por HenSistemas · · 6 min de leitura

Fileira de tomateiros numa estufa

Um registrador de dados, ou data logger, grava leituras ao longo do tempo. A escolha errada costuma aparecer tarde: quando a memória acaba antes de alguém baixar os dados, quando a bateria falha no meio de um ensaio ou quando o sensor que você já tem não se conecta. Este guia segue a ordem em que essas perguntas devem ser respondidas e termina com modelos do catálogo da HenSistemas.

Comece pelo que você vai medir

Cada sensor entrega o sinal de um jeito, e o registrador precisa aceitar esse jeito. As entradas mais comuns são:

  • Analógicas: tensão, corrente (como 4-20 mA), termopares e sensores Pt100 ou Pt1000 de temperatura.
  • Digitais e de pulsos: contagem de pulsos de um pluviômetro de báscula, de um anemômetro de conchas ou de um medidor de vazão, e registro do horário de eventos, como a abertura de uma porta.
  • Interfaces digitais: SDI-12 e RS485 com protocolo Modbus, usadas por sondas e sensores inteligentes.

Conte os canais de que você precisa hoje e deixe uma folga. Verifique também se o registrador tem sensores internos, como o de temperatura, ou se serve só para sensores externos.

Intervalo de leitura, memória e autonomia do registro

Três números decidem por quanto tempo o registrador grava sem alguém baixar os dados: a memória, o número de variáveis e o intervalo entre registros. Divida a memória pelo número de variáveis e pela frequência de gravação para saber quanto tempo ela comporta.

  • Intervalo curto dá mais detalhe, mas enche a memória e consome mais energia. Escolha o intervalo pela velocidade com que a variável muda: a temperatura de uma câmara fria muda devagar, e a de um processo industrial pode mudar rápido.
  • Medição e registro podem ter intervalos diferentes em alguns modelos. Vale perguntar.
  • Memória cheia: alguns registradores sobrescrevem os dados mais antigos, e outros interrompem a gravação. Confirme qual é o comportamento do modelo.

Exatidão do conjunto

A exatidão final depende do sensor e da entrada do registrador, que muitas vezes é dada em porcentagem da faixa de medição. Some as duas, verifique se o valor vale para o tipo de sensor que você usa e olhe também a resolução. Se você registra eventos, confira a deriva do relógio interno: uma hora errada compromete a análise.

Como os dados chegam até você

  • USB direto: você conecta o registrador a um computador no local. É simples e barato de operar.
  • Bluetooth e aplicativo: configurar e coletar pelo celular, sem cabo, no local.
  • Wi-Fi ou Ethernet: para locais com rede.
  • Celular (3G, 4G, GSM): envia os dados para um servidor, uma nuvem ou por e-mail, e permite alarmes por SMS. Exige cobertura e um plano de dados.
  • Redes de longo alcance e baixo consumo, como LoRa, quando há muitos pontos: confirme com o fornecedor se o modelo as aceita.

A telemetria compensa quando o local é de difícil acesso ou quando um alarme precisa chegar a tempo. Fora isso, baixar os dados no local simplifica a instalação.

Energia

  • Pilhas AA servem para registradores de baixo consumo. Confira a autonomia que a ficha informa.
  • Alimentação externa e painel solar com regulador de carga servem para registradores com comunicação, que consomem mais.
  • A transmissão por celular causa picos de corrente: confira se a fonte e a bateria os suportam.

Ambiente e instalação

  • Grau de proteção IP. Um gabinete IP66 foi pensado para ambientes agressivos, enquanto um IP40 deve ficar em um local abrigado, como um laboratório, um painel ou uma sala.
  • Temperatura e umidade de operação do registrador, não só as dos sensores.
  • Fixação: parede, painel, mastro, ímã. Confira se o modelo tem o suporte de que você precisa.
  • Proteção contra surtos e descargas. Em instalações externas, pergunte o que o fabricante recomenda para as entradas e para a alimentação.

Software, dados e alarmes

  • O software de configuração deve rodar no seu sistema e permitir ver gráficos e exportar os dados em formatos que você consegue abrir.
  • A integração com outros sistemas, por Modbus, por exemplo, importa se os dados alimentam um supervisório ou um CLP.
  • Os alarmes podem ser locais, com um buzzer ou uma saída para relé, ou remotos, por SMS ou e-mail. Decida quem vai receber e o que essa pessoa deve fazer.
  • Guarde os dados fora do registrador: exporte e faça cópia de segurança depois de cada coleta.

Calibração e rastreabilidade

Sensores e entradas do registrador são calibrados e verificados separadamente. Se o seu trabalho exige rastreabilidade, pergunte ao fornecedor quais certificados existem e qual é o intervalo de calibração recomendado. Guarde o histórico de calibrações junto com os dados, e verifique o conjunto com uma referência quando houver dúvida.

Modelos do catálogo para comparar

  • HS142: registrador compacto para estação meteorológica, com cinco entradas de sensores, download direto por USB e gabinete IP66. Funciona por até um ano com quatro pilhas AA, segundo a ficha.
  • LogBox BLE (NOVUS): registrador multicanal com três entradas analógicas e uma digital. Aceita termopares, Pt100, tensão e corrente. Comunica-se por USB e Bluetooth, com aplicativo para celular.
  • LogBox 3G (NOVUS): registrador com duas entradas analógicas e uma digital, comunicação 3G/2G, alarmes por SMS e acesso pela plataforma NOVUS Cloud.
  • HD33MT.4 (Delta OHM): registrador com quatro entradas analógicas, duas de contagem, porta RS485 com Modbus RTU e porta SDI-12. Transmite por 4G, 3G e GSM e envia os dados por e-mail, FTP ou HTTP.
  • CR310-WiFi (Campbell Scientific): registrador compacto e programável, que mede sensores analógicos e digitais, inclusive por SDI-12 e RS-232. Tem Ethernet e Wi-Fi, regulador de carga solar e suporte a vários protocolos.

Checklist antes de pedir a cotação

  1. Os sensores e o tipo de sinal de cada um, e o número de canais.
  2. O intervalo de leitura e a autonomia de registro necessária.
  3. A forma de coletar os dados e a cobertura de rede no local.
  4. A energia disponível e o consumo esperado.
  5. O ambiente e o grau de proteção do gabinete.
  6. Software, alarmes e plano de calibração.

Se quiser ajuda para montar essa lista com o seu caso, fale com um especialista ou monte a sua lista de orçamento.

Instrumentos para esta aplicação

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